Folclore, cultura e identidade
Zero Hora – 22 de agosto de 2013
No contexto atual
de globalização,
há o risco de se
perderem muitas
das tradições orais
Em 22 de agosto, celebra-se o Dia do Folclore Nacional. O termo foi criado pelo arqueólogo inglês William John Thoms, em 1846, inicialmente com o objetivo de designar os tesouros da literatura popular: histórias, contos, mitos e provérbios. Termo proveniente do inglês, com a junção de folk (povo) e lore (conhecimento, saber). Mais tarde, o conceito foi ampliado, abrangendo o conjunto de costumes, lendas, provérbios, manifestações artísticas, em geral, preservado, através da tradição oral, por um povo ou grupo populacional. No Brasil, foi criado o termo populário com o mesmo sentido, todavia não vingou e caiu no esquecimento.
O folclore traz, nas lendas, contos, ditados, danças, pratos típicos etc, a forma como um povo interpreta e vive o seu mundo. Ao tomar conhecimento do folclore, a gente pode compreender, de fato e na essência, a cultura de um povo. Dentre as principais lendas do Brasil, destacam-se Saci-Pererê, Curupira, Boitatá, Mula Sem Cabeça, Lobisomem, O Boto, Vitória-Régia, O Negrinho do Pastoreio.
Sílvio Romero é tido como o pai do folclore brasileiro. Outros folcloristas consagrados: José de Alencar, Mário de Andrade e Luís da Câmara Cascudo. No Rio Grande do Sul, vive um dos mais destacados folcloristas da atualidade: João Carlos Paixão Côrtes. Há mais de meio século, ele vem resgatando e registrando as manifestações autenticamente populares das diversas etnias que formaram o nosso Estado e o Brasil.
No contexto atual de globalização, há o risco de se perderem muitas das tradições orais, transmitidas de geração em geração, de pais para filhos, ao longo da história. O povo que perde a sua memória abdica também de sua identidade, de seus valores expressos em lendas, mitos, provérbios. A cultura é a alma de um povo. O folclore é a sua manifestação autêntica, genuína, única. Hoje é dia de lembrar o Negrinho do Pastoreio, o Saci-Pererê, os provérbios de nossos pais e avós, as canções de ninar, como forma de preservar a memória do saber popular. Não podemos abrir mão de tamanha riqueza. Não podemos deixar que desapareça a nossa marca, a identidade que nos distingue dos demais e preserva tantos valores universais sob a forma de símbolos e lendas locais.
Ari Riboldi, professor e escritor.
