LEGADO DO FREI ROVÍLIO COSTA
Jornal do Comércio de Porto Alegre, em 16 de dezembro de 2009.
Neste dia 13 de dezembro, completam-se seis meses da morte do Frei Rovílio Costa. Ele não está mais fisicamente entre nós. Partiu no dia 13 de junho de 2009, aos 75 anos de idade. Todos, porém, sentem a sua poderosa presença espiritual e guardam bem viva a imagem do seu sorriso; suas palavras de estímulo ecoam; os seus afáveis conselhos ressurgem constantemente em nossas vidas. Dele guardamos a mais doce lembrança, uma saudade que não dói. Pelo contrário, é uma saudade que conforta, que faz lembrar alguém que só tinha carinho, estímulo, gestos de amor e de dedicação.
É como se todos nós tivéssemos perdido o irmão mais velho, aquele que nos orientava, que nos dava a palavra de ordem com autoridade natural, sem imposição, fruto da confiança conquistada. O Frei Rovílio Costa era, sim, nosso irmão mais velho. Ao redor dele todos se sentiam bem, seguros, valorizados. Se era notável pelo saber, pela vasta cultura, também o era – e acima de tudo – pela simplicidade, pelo despojamento, pela dedicação, pela capacidade de dispor de tempo e espaço para todos. Acima de tudo, o Frei Rovílio seguia à nossa frente e, antes de qualquer outro, dava o seu exemplo. O que marca, o que arrasta é o exemplo. Lembramo-nos dele, do que nos dizia, das palavras que dispensava a cada um em particular. O que ficou, todavia, de mais marcante foi o seu exemplo, a vida de dedicação em atos diários de altruísmo, abnegação e generosidade.
A cultura italiana muito deve ao intenso trabalho do Frei Rovílio Costa. Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Mestre em Educação e Livre Docente em Antropologia Cultural, foi o maior pesquisador e editor de livros sobre a imigração italiana no Rio Grande do Sul. Escreveu mais de vinte livros e promoveu a publicação de mais de duas mil obras, envolvendo mais de três mil autores. O frei dos livros, o frei que amava as letras, seu legado cultural é grandioso para a história dos italianos e seus descendentes, além de outras etnias.
O que cala no coração de cada um de nós, de todos quantos tiveram a ventura de conhecê-lo e com ele conviver é, mais do que qualquer outra coisa, o seu sorriso, marca de sua alegria e felicidade, marca que contagiou, que conquistou, que nos deixou cativos. E para sempre ficará presente, ao longo do tempo, a saudosa e doce lembrança do nosso irmão, do amigo Frei Rovílio Costa.
Professor Ari Riboldi, escritor e pesquisador
