A fúria das águas do Guaíba

Por: Ari Riboldi
Jornal do Comércio de 21/10/2015

Foto: Jornal do Comércio

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Há anos, discute-se a revitalização da orla e do cais, a despoluição do Guaíba. Planos, projetos: dar vida ao lago e integrá-lo à geografia física e social da cidade. Para bem entender, é preciso recuar no tempo. Bastam algumas décadas para recuperar o leito natural do Guaíba. Nomes, marcas, testemunhas, documentos, retratos lembram com precisão realidade não tão distante. A passarela de Porto Alegre, Rua da Praia, já foi de fato praia com águas. A Ilhota perto da Praça Garibaldi de água cercada por todos os lados tornou-se espaço de casas cercado também de casas de todos os lados. A Rua da Várzea e adjacências, área do lago, tornou-se reduto de blocos de Carnaval. Por ironia, o ginásio Tesourinha, há décadas berço do Guaíba, é agora teto e socorro de desabrigados. Acuado, enxotado, colocado a correr, o lago retraiu-se, estrangulado, e o progresso tomou grande parte do que era seu. Muros e comportas ergueram-se para mantê-lo recluso.
A cidade apropriou-se de área dele e deu-lhe as costas. Não depois de muitos anos, a cidade o procura com proposta de reconciliação, convivência e harmonia, para se irmanarem e se abraçarem em novo cenário, como velhos amigos e vizinhos. A cidade, porém, não recua um centímetro e não é por falta de terras ociosas, abundantes. Para onde o Guaíba irá para guardar suas águas? Para baixo, para o fundo, para romper com as bases que o sustentam? Avançar sobre as ilhas da outra margem? O ímpeto atual de suas ondas contra muros e comportas reflete o desespero de quem foi humilhado, expulso, da geografia natural e milenar. Poucos anos se passaram e hoje pede-se piedade. Por favor, Guaíba, não invada a cidade, não desampare os vizinhos, não volte ao leito que lhe pertenceu. Quem sabe, depois do susto, após o aviso, a cidade entenda o recado e proponha um acordo mais justo e honesto com o lago Guaíba, para uma vida realmente fraterna, de igualdade e de respeito mútuos.

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