Onde Judas perdeu as botas

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Lugar distante, remoto e de difícil acesso. A expressão popular estaria vinculada ao Apóstolo Judas, o traidor de Jesus, que o delatou aos soldados em troca de 30 moedas e, depois, foi enforcar-se numa árvore.

É o que registra o evangelista São Mateus, também um dos doze apóstolos seguidores de Jesus, no capítulo 27, versículo 5:

“E Judas, atirando para o templo as moedas, retirou-se e foi se enforcar”.

O traidor de Jesus, a partir do episódio referido, nunca mais foi perdoado pela Igreja e tão menos pela linguagem. Não se sabe se ele usava botas. Possivelmente, não. Nem há registros a respeito do lugar onde se enforcou. Com certeza, porém, não deve ter sido um local aprazível e acolhedor.

Há outras expressões equivalentes, sempre de caráter pejorativo, nas quais Judas e o diabo são sinônimos: onde o diabo perdeu as botas, onde o diabo perdeu as esporas, cafundó dos diabos, no calcanhar do Judas, cafundó do Judas.

Páscoa, uma passagem.

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Do hebraico “pessach”, nome da festa anual que os pastores hebreus faziam, quando ainda viviam nômades, para comemorar a chegada da primavera. Mais tarde, quando Moisés libertou os hebreus da escravidão do Egito, com a milagrosa travessia do Mar Vermelho, a palavra assumiu o sentido de passagem, de libertação. Os cristãos, por simbologia, adotaram o mesmo nome para marcar a passagem da morte para a vida, ou seja, para a celebração da ressurreição de Jesus Cristo, após o terceiro dia de sua morte. Segundo os historiadores, a morte de Jesus aconteceu no mesmo período em que os hebreus celebravam a festa anual da sua Páscoa.

Via-Sacra, via-crúcis

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Designação de cerimônia religiosa católica que lembra 14 passagens (chamadas estações) importantes, desde a prisão até a mort de Jesus. Em latim, “via-crucis”, com o significado de via ou caminho da cruz. A palavra crucifixo – e daí crucificação – significa, literalmente, fixo na cruz. Acima do corpo de Jesus, no alto da cruz, aparece uma tabuleta com 4 letras: INRI. Em latim, Iesus Nazarenus Rex Iudeum (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus). Havia, na época, uma prática comum de se colocar em tabuleta o motivo da morte do condenado. Contam os evangelistas que alguns escribas não gostaram dos dizeres e foram até Pilatos para pedir que fossem alterados para “Jesus Nazareno, o que se diz rei dos judeus”, ao que o representante do Império Romano teria respondido: “O que está escrito, está escrito”. E assim permaneceu.

Qual a origem da palavra calvário?

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Monte onde Jesus foi crucificado. Do latim “calvariae” (locus), lugar das caveiras, dos crânios. Em hebraico, corresponde ao monte Gólgota, lugar onde eram executados os que haviam sido condenados à morte, na Antiga Judeia. A denominação do monte, em latim e em hebraico, provavelmente seja decorrente do fato de ali serem encontrados muitos crânios dos condenados.

Outros estudiosos afirmam que o nome Calvário deve-se ao fato de o monte não possuir nenhuma vegetação (calvus), portanto parecer-se com uma cabeça calva. Interpretações à parte, calvário atualmente é metáfora que traduz dor e sofrimento.

Por que ‘capeta’ se tornou demônio?

capeta“Capa” mais o sufixo “eta” significa, literalmente, pequena capa. É o mesmo caso de caneta (pequeno cano), saleta (pequena sala). As primeiras representações do diabo, geralmente um animal com rabo e chifres, como o bode, eram cobertas com uma pequena capa. Por tabu religioso e superstição, o povo evitava pronunciar a palavra demônio, com receio de atrair o mal.

Em vista disso, passou a empregar outras denominações, como bode preto, cão. A própria capeta assumiu o papel de diabo. Trata-se de uma figura de linguagem chamada metonímia, em que a parte substitui o todo. Dessa forma, a pequena capa que encobria as figuras que simbolizavam o demônio ocupou o lugar do diabo. Nascia, assim, o terrível capeta.

O ladrão de galinhas

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Ladrão desqualificado, da camada social mais pobre, que furta para matar a fome e acaba atrás das grades, preso com algemas e sem a presença de advogado de defesa. Não sabe o que é “habeas corpus” e tão menos haverá defensor público “in loco” para requerer esse direito. No meio rural, quando surgiram os primeiros desempregados e sem posses, costumavam atacar os galinheiros, furtando algumas galinhas para saciar a fome e a dos seus. Como eram por demais conhecidos, acabavam logo presos. O oposto é o tubarão.